sexta-feira, 20 de novembro de 2009

NINGUÉM MERECE!




Outro dia, vi uma árvore de Natal sendo montada. A primeira, pelo menos para mim, de uma série que ainda terei o desprazer de ver iluminada. Senti uma repulsa imediata! Afinal, tenho horror a esse período do ano, quando o consumismo atinge o seu apogeu e a hipocrisia sufoca os sentimentos mais essenciais do ser dito humano. Sinto-me extremamente deprimida. Isso sem falar na atmosfera brega da data: árvores com enfeites coloridos, pisca-pisca, presépios... Todas essas coisas que, desde criança, a gente está acostumada a ver. Só que nem mesmo quando eu era menina, aparentemente sem discernimento, acreditei nessa encenação. Nem em Papai Nöel, com o seu surrealista trenó, puxado por renas, nem no menino Jesus, supostamente vindo ao mundo na manjedoura em um ambiente para lá de inóspito. Pois é! Ninguém nunca teve a capacidade para me convencer da existência desses indigestos analgésicos. De repente, contudo, lembrei de um post do meu blog, datado do dia 19 de maio deste ano, no qual descrevo as semelhanças entre Papai Nöel e o papa Bento XVI, um dos meus maiores desafetos, cuja índole não tem nada de boas intenções. Vamos lá, então, à brincadeira...



DA CASA DE





Não é Dia das Bruxas, mas quem adivinhar
o que Bento XVI e Papai Noël têm
em comum ganha um doce.











Não, não é o gorro.
O de Bento XVI, por exemplo, é apenas um dos muitos chapéus que ele coleciona.
Vejamos!




Bento e Noël não dispensam um trono...










Bento e Noël são chegados a um cajado...









Bento e Noël andam a penar...











Bento e Noël labutam...










Bento e Noël tocam instrumentos musicais...












Bento e Noël tiram férias...












Bento e Noël curtem a natureza...












Bento e Noël adoram criancinhas...












Bento e Noël também poder ser maus meninos...













Bento e Noël adoram voar...











Bento e Noël têm segurança pessoal...











Bento e Noël visitaram a África...











Bento, Noël, o vil metal e congêneres...








Bento e Noël também são filhos de Deus...









Bento e Noël não respeitam a Lei Seca
e, ébrios, colidem...









Bento é flagrado pelo bafômetro
e é interditado...







Noël sobrevive, mas...




— Ho! Ho! Ho!


Nobel iria gostar...


Noël não resiste...





— Buá! Buá! Buá!



Na prisão, Bento acende uma vela
e reza uma missa...





Alguém já remarcou que a vela tem um formato fálico?
Imaginem essa, então, revestida com um preservativo... Ia pegar fogo!



Ai do aquecimento global!




Nathalie Bernardo da Câmara





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

EU NÃO MATEI JEANNE D'ARC


“Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine?
Mais où sont les neiges d'antan?”.

François Villon (1431 - 1463), poeta francês
Ballade des dames du temps jadis



Ou ando muito sentimental ou é porque a trágica trajetória da heroína francesa Jeanne D’Arc (1412 - 1431) sempre me comoveu. Outro dia, por exemplo, ao rever o filme Joana D’Arc de Luc Besson, chorei, em um misto de indignação e revolta. Aqui, transcrevo a sinopse do filme, segundo o site http://www.adorocinema.com/filmes/joana-darc/



“Em 1412, nasce em Domrémy, França, uma menina chamada Joana (Milla Jovovich). Ainda jovem, ela desenvolve uma religiosidade tão intensa que a fazia se confessar algumas vezes por dia. Eram tempos árduos, pois a Guerra dos Cem Anos com a Inglaterra se prolongava desde 1337. Em 1420, Henrique V e Carlos VI assinam o Tratado de Troyes, declarando que após a morte de seu rei a França pertencerá a Inglaterra. Porém, ambos os reis morrem e Henrique VI é o novo rei dos dois países, mas tem poucos meses de idade e Carlos (John Malkovich), o delfim da França, não deseja entregar seu reino para uma criança. Assim, os ingleses invadem o país e ocupam Compiègne, Reims e Paris, com o rio Loire detendo o avanço dos invasores. Carlos foge para Chinon, mas ele deseja realmente ir para Reims, onde por tradição os soberanos franceses são coroados, mas como os ingleses dominam a região, isto se torna um problema. Até que surge Joana que, além de se intitular a "Donzela de Lorraine" tinha uma determinação inabalável e dizia que estava em uma missão divina, para libertar a França dos ingleses. Desesperado por uma solução, o delfim resolve lhe dar um exército, com o qual ela recupera Reims, onde o delfim é coroado Carlos VII. Mas se para ele os problemas tinham acabado, para Joana seria o início do seu fim”.


Um fim que, convenhamos, toca e sensibiliza – imagino – até mesmo o âmago do mais insensível dos homens, devido a injustiça cometida contra uma jovem tão pura e bem intencionada, queimada viva por ensandecidos celerados com apenas dezenove anos de idade. E essa é a cena final do filme, ou seja, Jeanne D’Arc na fogueira, ardendo nas labaredas da ignorância. Chocante, tamanha crueldade! Quem puder, então, veja ou reveja o filme. Isto é, se o estômago não revirar, igual o meu revirou. Voilà!



ficha técnica:


título original:The Story of Joan of Arc
gênero:Drama
duração:02 hs 35 min
ano de lançamento:1999
estúdio:Gaumont / Leeloo Productions
distribuidora:Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment
direção: Luc Besson
roteiro:Luc Besson e Andrew Birkin
produção:Patrice Ledoux
música:Eric Serra
fotografia:Thierry Arbogast
direção de arte:Alain Paroutaud
figurino:Catherine Leterrier
edição:Sylvie Landra
efeitos especiais:Duboi


Nathalie Bernardo da Câmara

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A ANTROPOLOGIA DE LUTO

Foi anunciada nesta terça-feira (3) a morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss. A informação é da editora do intelectual, pela qual o falecimento teria ocorrido entre sábado e domingo. Criado em Paris, ele nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908. Fundador da Antropologia Estruturalista, é considerado um dos intelectuais mais relevantes do século 20.
Membro de uma família judia francesa intelectual, Lévi-Strauss estudou Direito e Filosofia na Sorbonne, em Paris. Lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo (USP), de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central.
Ali passou breves períodos entre os índios bororós, nambikwaras e tupis-kawahib, experiências que o orientaram definitivamente como profissional de antropologia.
Em 1955, publicou "Tristes Trópicos" - um registro dessas expedições. No livro, ele conta como a vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.
Após retornar à França, em 1942, mudou-se para os Estados Unidos como professor visitante na New School for Social Research, de Nova York, antes de uma breve passagem pela embaixada francesa em Washington como adido cultural.

Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele"
Fez parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.
Lévi-Strauss passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos.
Jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como única. Enfatizava que a mente selvagem é igual à civilizada.
As contribuições mais decisivas do trabalho de Lévi-Strauss podem ser resumidas em três grandes temas: a teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17º Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha.
Declarou na ocasião: "Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".



Bibliografia publicada no Brasil


• Tristes Trópicos (Companhia das Letras, 1996)
• As Estruturas Elementares do Parentesco (Vozes, 2003)
• Antropologia Estrutural (Vol. 1) (Cosac Naify, 2008)
• Antropologia Estrutural (Vol. 2) (Tempo Brasileiro, 1993)
• O Pensamento Selvagem (Papirus, 2005)
• Sociologia e Antropologia, de Marcel Mauss (introdução de Claude Lévi-Strauss, Cosac Naify, 2003)
• O Cru e o Cozido - Mitológicas (Cosac Naify, 2004)
• Do Mel às Cinzas - Mitológicas (Cosac Naify, 2005)
• A Origem dos Modos à Mesa - Mitológicas (Cosac Naify, 2006)
• O Homem Nu - Mitológicas (Cosac Naify, 2009)