sexta-feira, 18 de março de 2011

OBAMA NO BRASIL


“Obama escapará do apoio explícito ao ingresso do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como membro permanente. Os EUA perderam a confiança no Brasil depois do voto contrário às sanções contra o Irã, em junho do ano passado...”.

Denise Chrispim Marin
Jornalista brasileira em Cartas de Washington
Blog do jornal O Estado de São Paulo,
595 dias sob censura




Nada a declarar sobre a visita do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil neste fim de semana – o povo brasileiro poderia passar sem essa presença indigesta... Eu, particularmente, nunca senti simpatia por nenhum governante dos Estados Unidos, independentemente, aliás, da cor da sua pele. Digo isso porque, há pouco, lendo, no jornal O Estadão, uma entrevista do ator brasileiro Lázaro Ramos, fiquei estupefata. O ator, que vem se destacando por sua impecável performance nos palcos dos teatro, no cinema e na TV, declarou que Obama tem um valor “inestimável” para os negros que vai além da sua política – mais simplório, impossível! Desconsiderando, sem bom senso algum, a maldita tradição histórica dos Estados Unidos de, arrogantemente, impor ao mundo, desrespeitando a autonomia de outros países, a sua suposta supremacia, Lázaro Ramos reduziu a sua admiração pelo presidente norte-americano à condição da sua raça negra. O fato, por sua vez, me fez lembrar que, durante as eleições presidenciais de 2010, no Brasil, muitas mulheres alegaram votar nas então candidatas Dilma Rousseff ou Marina Silva apenas porque elas também eram mulheres e, em toda a História do país, não se tinha tido, ainda, uma representante do sexo feminino no Executivo. Quanto bairrismo! Afinal, convenhamos, sexo não determina competência, muito menos a raça de uma pessoa. Eu, particularmente, no caso das últimas eleições presidenciais ocorridas no Brasil, por exemplo, votei na ambientalista Marina Silva não porque ela era mulher, mas por sua plataforma de governo. Daí achar muita alienação política, embora eu não esteja julgando ninguém, um negro apoiar um outro negro só porque ambos são da mesma raça. Ora, negro ou branco, mulher ou homem, foi eleito presidente dos Estados Unidos? Não é confiável, mesmo se, um dia, já o tenha sido... A charge acima, contudo, não traduz que uma sutil alegoria do atual cenário político brasileiro.

 
 
“Como nação, vamos continuar a fazer tudo o que pudermos para promover a estabilidade e democracia no Oriente Médio...”.
 
Barack Obama
Presidente norte-americano em artigo publicado nesta sexta-feira, 18, no jornal USA Today
 
 
 
 
Segundo o G1, um dia antes da chegada de Obama ao brasil, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas - ONU aprovou, nesta quinta-feira, 17, “a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e a adoção de ‘todas as medidas necessárias’ para proteger civis contra as forças do governo Muammar Kadhafi, o que, na prática, autoriza ações militares” – decisão, inclusive, tomada cerca de um mês depois que teve início os protestos pela derrubada do ditador líbio e que recebeu dez votos favoráveis (EUA, Reino Unido, França, Líbano, Bósnia e Herzegovina, Colômbia, África do Sul, Nigéria, Gabão e Portugal) e cinco abstenções (Brasil, China, Rússia, Índia e Alemanha). O jornal O Estadão, por sua vez, disse que “o Brasil, ao justificar a abstenção, afirmou que a posição brasileira ‘não significa uma aceitação do comportamento do governo líbio’. De acordo com a embaixadora Maria Luiza Viotti, ‘o problema está no texto da resolução’. Para a diplomata brasileira, ‘as medidas adotadas podem gerar mais danos do que benefícios’. Além disso, segundo a representante brasileira junto à ONU, os movimentos no mundo árabe ‘têm crescido internamente. Uma intervenção externa alteraria esta narrativa, tendo repercussões na Líbia e em outros países’”. Curiosamente, contrária aos interesses dos EUA, a posição do governo brasileiro ameaça ainda mais a sua intenção do país ser incluído entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Ora, se não for, paciência! O que não pode, em hipótese alguma, é que por mais que os Estados Unidos praticamente exijam, o restante do mundo tem o direito de não querer rezar em sua cartilha.
 
 
Nathalie Bernardo da Câmara
 

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