domingo, 6 de agosto de 2017

ÍNDIA



 Estava caminhando, indo à feira – adoro feira! –, que tem todos os domingos perto de casa, na São José, quando, ainda antes de chegar lá, o som de uma música invadiu a rua – surpreendendo-me, vi uma bicicleta adaptada com uma caixa de autofalantes cruzando a praça, tocando ‘Índia’... E instrumental. Quase não acreditei! Pensei até em aproximar-me e comprar o CD, mas, como a região estava deserta, sem passar nem mesmo carro – e em tempos de violência urbana –, tratei de afastar tal ideia da mente e segui em frente. Felizmente, Natal ainda tem umas coisas assim: todo dia passa na porta o rapaz que vende o famoso Picolé de Caicó; outro vende cavaco-chinês, que mais parece hóstia, ou seja, não tem gosto de nada; um terceiro vende vassoura de piaçava... E por aí vai. Isso faz-me lembrar de que, na minha infância, lá na casa de Nanoca, a minha avó paterna, passava um senhor vendendo porções de cuscuz; tapioca, inclusive a molhada, que adoro; bolo de macaxeira... Se eu não parar de escrever este, vou terminar falando, entre outros, dos roletes de cana espetados num palitinho de coqueiro, vendidos, aliás, nas entradas das antigas salas de exibição de cinema, que nem existem mais! Então... De volta da feira, fui pesquisar no Google quem era o autor da versão instrumental de ‘Índia’. Frustrei-me, pois não encontrei: deveria ter comprado o CD do cara... Só que, enquanto buscava tal autoria, deparei-me com uma postagem do blog ‘Baú da Música Brasileira’, muito interessante (http://baudamusicasertaneja.blogspot.com.br/…/india-1952.ht…), de Julio Costa, de São Paulo, um amante da música brasileira – não o conheço, mas gostaria de conhecer, contando a história da música em questão, dos seus autores: a letra de Manuel Ortiz Guerrero e a música de José Asunción Flores, dois paraguaios (em 1944, a canção original tornou-me, oficialmente, por decreto, música tema do Paraguai), e a versão brasileira, de José Fortuna, interpretada, no Brasil, originalmente, pela dupla sertaneja Cascatinha & Inhana (Francisco dos Santos e Ana Eufrosina da Silva – um casal, que formou uma das principais duplas sertanejas do Brasil). Depois deles vieram outros intérpretes, mas essa versão, a original, é magnífica!


Nathalie Bernardo da Câmara

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

HOMEOPATIA X DENGUE*


“É melhor prevenir do que remediar...”.

Provérbio popular

 
É público e notório que a dengue é um dos principais atuais problemas de saúde pública no mundo, sobretudo nos países tropicais. No Brasil, por exemplo, as condições para a proliferação do aedes aegypti, transmissor da dengue, são mais do que propícias, podendo, inclusive, serem consideradas o habitat ideal para o mosquito. Ou o mais palatável. É igualmente público e notório que a homeopatia reforça as defesas do organismo e que, para não importa qual doença, é a mais indicada das prevenções. Exemplo disso é que, segundo o médico homeopata brasileiro Fábio de Almeida Bolognani, a homeopatia, desde a sua criação pelo médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755 - 1843), tem contribuindo enormemente com epidemias infecto-contagiosas no mundo inteiro, citando, no caso, a peste de cólera que, entre 1831 e 1834, assolou a Europa, mas que, através do tratamento homeopático, foi combatida com desvelada eficiência.

Afinal, ao fortalecer o sistema imunológico, a homeopatia torna-o mais resistente a todo e qualquer tipo de contágio. Em relação à dengue, que afeta exatamente esse mesmo sistema imunológico, o organismo, sem defesas, quando contaminado pelo mosquito, está mais vulnerável para desenvolver outras doenças. Daí a necessidade de prevenção com remédios homeopáticos, já que se, mesmo assim, um dado organismo for contaminado, o tratamento da doença com homeopatia minimiza sofrimentos na fase de recuperação, que, aliás, é de curta duração, garantindo, ainda, maiores possibilidades de cura do paciente. E, o que é melhor, sem seqüelas, além de, conseqüentemente, reduzir a incidência de óbitos. Para a jornalista brasileira Maria Cândido Sampaio, se a população se previne com homeopatia, que lhe confere imunidade, ou se já está contaminada e se trata com medicamentos homeopáticos, os resultados são mais eficazes na cura do doente.

Isso sem falar na redução de custos para os governos, que, mesmo assim, devem continuar adotando as medidas sanitárias convencionais, além de encontrar outras alternativas visando a erradicação do vetor transmissor. Enquanto isso não acontece, vários municípios do país – e não é de hoje – recorrem à homeopatia como profilaxia no combate ao mosquito da dengue. O curioso é que muitos dos municípios que já se engajaram nessa política de prevenção prescrevem a sua própria receita, contendo tal ou qual fórmula homeopática, e que, apesar da redução dos casos de contágio nos tais municípios, o problema persiste. Porém, uma experiência que se mostrou positiva foi a realizada em meados deste ano no município de Iporá, no Oeste de Goiás, que revelou ser a realidade da dengue no Brasil, devido os resultados positivos dessa experiência, que têm atraido a atenção de autoridades que atuam no setor da saúde pública do país, passível de mudança.

Tal experiência, contudo, foi importada de São Paulo. Ou seja, durante a epidemia de dengue de 2007, um estudo prospectivo, visando a profilaxia dessa moléstia com o uso de uma terapêutica homeopática, foi realizado na cidade paulista de Penápolis. Supervisionada pelo médico homeopata Wagner Barnabé, do Grupo de Estudos Homeopáticos de São Paulo Benoit Mure, responsável, juntamente com a Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade de São Paulo - Unesp, em parceria com médicos homeopatas do Sistema Único de Saúde - SUS de São Paulo, a iniciativa demonstrou efetividade na prevenção da doença em 72% das 12.182 pessoas que, espontaneamente, receberam a dose, comprovando a eficácia do método utilizado: a administração, em larga escala, de uma dose única, na forma líquida, de duas gotas, por via oral, do medicamento homeopático china officinalis CH30. E o melhor: uma dose do medicamento custa, apenas, R$ 0,10.

Entusiasta dos resultados significativos do estudo realizado em Penápolis, a médica homeopata iporaense Luciana Menezes sugeriu à secretaria de Saúde de Iporá, com a qual colabora no combate à dengue, juntamente com demais profissionais de saúde, que o homeopata Wagner Barnabé coordenasse uma experiência similar no município, cujos índices de casos de dengue sempre são altos, já a partir do final do primeiro semestre deste ano. Tendo, portanto, na batalha contra o aedes aegypti, o vegetal china officinalis como princípio ativo da profilaxia homeopática, capaz de obter bons índices de prevenção e de cura, a experiência em Iporá, embora ocorrida no período de estiagem, de maio a agosto, quando o mosquito enfrenta dificuldades para procriar, apenas comprovou o esperado, que foi a redução paulatina das estatísticas de contágio da população local. E graças a duas gotinhas, que fizeram a diferença.

Afinal, nos quatro primeiros meses deste ano, a dengue assustou a população de Iporá, contaminando-a, indiscriminadamente, lotando o hospital do município e todos os hospitais privados locais. Em janeiro, por exemplo, foram notificados 156 casos; em fevereiro 511 novos surgiram. No mês de março, as notificações reduziram-se a 150 casos, mas, em abril, aumentaram para 229. Com a aquisição do medicamento, 19.371 pessoas foram imunizadas no dia 1º de maio. Nos dias que se seguiram, o medicamento foi administrado em mais 3.034 pessoas, computando, ao todo, 22.405 doses aplicadas no mês de maio, que, inclusive, viu o número de casos reduzido para 42 em trinta dias. Depois disso, o medicamento continuou, para quem quisesse, disponível nas Unidades de Saúde da Família - USFs do município de Iporá. Mas, ainda em relação as estatísticas... Em junho, apenas 4 casos foram registrados e, no mês julho, nenhuma notificação.

Informações ainda se tem de que, até o sétimo dia de agosto, nada de novos casos, embora, nos últimos dois meses, se tomou conhecimento de somente 1. E é esse, portanto, o exemplo de Iporá, cujos resultados com a terapêutica homeopática apenas confirma a eficácia do medicamento china officinalis CH30. No entanto, ações de prevenção outras têm sido tomadas pela administração do município, que, antes mesmo do atual período de chuvas, intensificou o trabalho dos agentes de saúde em busca de focos possivelmente espalhados. A homeopatia ajuda? Faz a sua parte, ou melhor, a diferença? Sim, mas os métodos de prevenção convencionais não devem, por isso, serem menosprezados nem interrompidos. Que a experiência de Iporá com a homeopatia seja, portanto, assimilada e exportada para todo o Brasil. Afinal, recentemente, o Ministério da Saúde confirmou 3 casos de dengue tipo 4 em Boa Vista, capital de Roraima. Grave...

E a situação é pior sobretudo para quem já contraiu a dengue do tipo 1, 2 ou 3, visto que se essas pessoas forem infectadas pelo tipo 4 elas têm maiores chances de desenvolver as variantes mais graves da doença, incluindo hemorragia, capaz de levar à morte. Enfim! Este 27 de novembro foi eleito por Iporá como o dia de mais uma campanha, a de disponibilizar em massa as gotinhas que fazem a diferença. Foram, portanto, quatro os endereços para que o pessoal treinado em maio pelo médico Wagner Barnabé administrasse a segunda dose do medicamento homeopata na população local. E, no caso de quem não tomou as duas gotinhas em maio, esta foi outra oportunidade para que a primeira dose seja tomada, prevenindo contra a dengue, já que, apesar de a homeopatia ter como princípio tratar do dito doente, nada a impede, de, em determinados casos, fazer de alvo a doença, desencadeada, inclusive, por um inseto para lá de arrogante.




Enfim! O resultado da campanha realizada hoje, em Iporá, no interior de Goiás, com os números dos que foram beneficiados com as duas gotinhas do medicamento china officinalis CH30, só deverá ser divulgado nos próximos dias. Enquanto isso, é como diria Hahnemann: “A única e elevada missão do médico é a de restabelecer a saúde do enfermo, que é o que se chama curar”. Eu, particularmente, na condição de adepta incondicional desse sistema terapêutico totalmente perfeito, que é a homeopatia, sobretudo após mais de trinta e poucos anos de convívio com essa ciência médica, capaz não somente de prevenir, evitando que os seus usuários fragilizem a sua capacidade imunológica, somatizando tristezas do passado e, por um azar qualquer, desencadear, quando menos se espera, algum tipo de doença, defendo que, nos casos emergenciais, o médico homeopata não deve ignorar as doenças já estabelecidas.

Afinal, em sua perfeição, focando as causas que motivaram um problema e não o problema em si – uma mera conseqüência, diga-se de passagem –, considerando que tudo é uma questão de somatização, a homeopatia deve, sim, tratar a doença, quando ela, não importa qual, se torna uma ameaça de vida ao doente, independentemente do que a provocou, a exemplo do que fazem os alopatas – tenho aversão à alopatia –, mas que eles apenas o fazem por uma questão de equívocos. Bom! Que essa segunda ousada tentativa das autoridades municipais de Iporá em recorrer à homeopatia para preservar a saúde da população da região de uma epidemia – coisa de terceiro mundo –, bem como a própria disponibilidade dessa mesma população em aceitar as gotinhas de Hahnemann para salvá-la, surta um efeito espetacular, superior ao alcançado fins do primeiro semestre deste ano e início do segundo. Só que, obviamente, conduzindo à cura...


Nathalie Bernardo da Câmara

*Publicado, originalmente, no dia 27 de novembro de 2010. Republiquei este texto porque, afinal, por causa da dengue, em Natal, Rio Grande do Norte, está morrendo mais gente, por metro quadrado e proporcionalmente, do que no Japão... E é, de fato, uma situação de calamidade pública.